sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

HDA e Curva Vital - Perguntas que devem ser respondidas


A partir da leitura da HDA e da Curva Vital, deve ser possível responder as seguintes questões:

1)    Como era a paciente antes de adoecer?

2)    Como ficou a paciente depois de adoecer?


3)    Quando a paciente adoeceu?

4)    A paciente apresenta sintomas ou intensificação dos traços de personalidade?
(Sintomas: é um conjunto de comportamentos que a pessoa passa a apresentar em um momento de sua vida e que pouco tem a ver com a forma como ela era antes de adoecer, isto é, não tem a ver com a sua personalidade. Os sintomas podem ou não ser motivados.)
(Intensificação dos traços de personalidade: é quando a pessoa apresenta alguns comportamentos que são típicos do seu modo de funcionar, e que se intensificam em decorrência de fatores ambientais estressores, causando grandes prejuízos na vida da pessoa)

5)    O quadro é ou não é motivado?

6)    A paciente teve uma crise ou mais de uma crise?

7)    Qual o tempo de duração da crise ou de cada crise?

8)    Quais são os sintomas (ou traços de personalidade intensificados) da crise ou das crises?

9)    Como evoluiu o quadro da paciente? (A paciente apresenta períodos de crises intercalados com períodos de intercrises ou a paciente apresentou apenas uma crise e não saiu dela até hoje?)



10) Qual é o impacto dos sintomas ou da intensificação dos traços de personalidade na vida da paciente? (Trabalho, amigos, família, relacionamentos amorosos)

Como conduzir a entrevista para uma boa anamnese

Como deve ser: você deve direcionar as perguntas de tal forma que possibilite o paciente a descrever os sintomas com a maior riqueza de detalhes possíveis.
1ª pergunta: Que dia é hoje?
Objetivo: avaliar a orientação alopsíquica.

 2ª pergunta: Onde você está?
Objetivo: o mesmo da pergunta anterior.

3ª pergunta: Você pode falar o seu nome pra turma? (Se você achar que não tem necessidade, você pode pular essa pergunta)
Objetivo: avaliar a orientação autopsíquica.

O que o levou a ser internado na Pax?
Objetivo: identificar os sintomas desta internação
Talvez seja necessário mais de uma pergunta para identificar quais são os sintomas.

Uma vez identificado QUAIS são os sintomas você vai repetir, de forma sucinta, o que a paciente te disse e em seguida, você vai perguntar sobre o SINTOMA 1:

Perguntas sobre o SINTOMA 1:
Fulana de tal, a senhora me disse que antes desta internação você apresentou os SINTOMAS 1, 2, 3 e 4. Agora, eu gostaria de falar um pouco mais sobre o SINTOMA 1. Você pode me descrever melhor como é o SINTOMA 1? (Foque na internação atual)
Como você reage ao SINTOMA 1?
Qual é o impacto do SINTOMA 1 na sua relação com seus amigos, familiares e parceiros amorosos?
O que estava acontecendo na sua vida quando você teve o SINTOMA 1?
Qual é o impacto do SINTOMA 1 nas suas atividades diárias?
Você está tendo o SINTOMA 1 agora?

Perguntas do SINTOMA 2, 3, 4 ...: as mesmas do SINTOMA 1

Quando você terminar as perguntas do SINTOMA 1, você vai começar as do SINTOMA 2 da seguinte forma:

Fulana de Tal, você acabou de me falar muitas coisas sobre o SINTOMA 1. Durante suas respostas você me falou de outros comportamentos que a senhora teve: SINTOMA 2, 3 e 4. Eu gostaria de falar um pouco mais sobre o SINTOMA 2 agora. Você pode me descrever melhor como é o SINTOMA 2? (Foque na internação atual) (...)

Você deve fazer o mesmo com os sintomas 3 e 4.

Depois desta descrição da crise atual, você vai perguntar se teve alguma outra vez na vida da paciente em que ela apresentou comportamentos semelhantes aos sintomas 1, 2, 3 e 4.

Se ela disser que sim, você vai perguntar qual foi a primeira vez que ela apresentou esses comportamentos.

Agora você vai pesquisar quanto tempo que os sintomas duraram e a evolução dos mesmos.

Para finalizar a entrevista, pergunte à paciente o que ela pretende fazer ao sair da clínica.

DICAS:
1)    As perguntas devem seguir uma sequência lógica!!! (Se você fizer perguntas aleatórias, a entrevista vai ficar confusa e ninguém vai entender nada, muito menos você.)

2)    Lembre-se da pergunta que você fez!!! (Acontece de você fazer uma pergunta e o paciente te dar uma resposta muito longa. Quando isso acontece, a tendência é a de você esquecer a pergunta que você fez no começo e ai de duas uma: ou você vai ficar perdido sem saber o que perguntar pro paciente ou você vai fazer uma pergunta baseado na última coisa que o paciente te falou. As duas alternativas são ruins porque nestes dois casos quem está conduzindo a entrevista é o paciente)

Como não se esquecer da pergunta que você fez:
a)    Escreva em um papel uma palavra que resuma o objetivo da sua pergunta (Palavra-resumo).
Por exemplo:
Entrevistador: O que aconteceu que você está internado na Pax?
Objetivo da pergunta: saber os sintomas da crise atual

Palavra-resumo: SINTOMAS (Quais?)

b)    Quando a pessoa terminar de dar a resposta. Você vai olhar no papel a Palavra-resumo e se você ficar satisfeito com a resposta dada pelo paciente, então você vai riscar a palavra-resumo e já vai fazer outra pergunta que tenha a ver com os objetivos gerais da entrevista.

3)    Antes de começar a entrevista, faça um roteiro com as Palavras-Resumos. Ai você vai fazendo as perguntas baseado nessas palavras-resumos.

4)    Não deixe o paciente conduzir a entrevista.

5)    Reconduzir o paciente para a pergunta, caso este comece a falar sobre coisas que não tem a ver com o que foi perguntado.


Como reconduzir o paciente quando ele começa a dar a resposta e depois divaga: quando o paciente der uma pausa pra respirar, você confirma o caso que o paciente estava te contando e em seguida, você diz que fez a pergunta X pra ele, que ele deu a resposta B e que você gostaria de saber se tem mais alguma coisa que ele gostaria de falar relativo a pergunta X.

Por exemplo:
Entrevistador: Você me contou que você tem comprado muitas coisas nos últimos tempos, principalmente roupas, sapatos e presentes. O fato de você estar comprando muito tem trazido algum impacto na sua vida?
Paciente: Nossa! Demais, né? Com esse negócio de comprar muito eu comecei a ter dívidas, meu nome foi pro SPC, pra você ter uma noção. No começo a minha mãe estava me emprestando dinheiro, mas depois ela parou... eu já te falei como é a minha mãe? Ela sempre faz isso comigo, ela sempre me poda. A minha mãe implica comigo só porque eu sou mais bonita do que ela. Ela tem inveja de mim, sempre teve! Uma vez, quando eu era adolescente, ela começou a implicar com o meu cabelo e me obrigou a cortar o cabelo curtinho, igual de joaozinho, sendo que eu não queria... (pausa pra respirar)
Entrevistador: Entendi, Fulana. Você está falando que quando você era criança a sua mãe te obrigou a cortar o cabelo contra a sua vontade. De fato é muito ruim quando alguém nos obriga a fazer algo que a gente não quer fazer (Confirmação). Mas você se lembra que eu te perguntei se o fato de você estar comprando muito tem trazido algum impacto na sua vida? Então... você começou me dizendo que sim, que inclusive o seu nome foi parar no SPC. Tem mais algum impacto que você notou na sua vida após você ter começado a comprar muitas coisas?

Como conduzir o paciente que não dá a resposta e só divaga: Confirma o caso que o paciente está te contando e em seguida relembre a pergunta que foi feita. Se ele divagar de novo, tudo bem! Pelo menos ele agora sabe que está divagando, esta foi uma escolha dele e isso provavelmente é um sintoma ou tem a ver com algum sintoma dele. Nesse caso, deixe ele divagar um pouco e faça outra pergunta que seja relevante para compreender o quadro dele.

6)    O paciente vai te contar um monte de casos, não se perca nos casos!!! (Caso é tudo aquilo que ou não tem a ver com o quadro clínico do paciente ou até tem a ver, mas o paciente começa a dar detalhes irrelevantes.)
(Cuidado com os casos, principalmente quando eles despertarem interesse e curiosidade!!)

Por exemplo:

Entrevistador: Você me disse que nos últimos tempos você tem feito sexo com maior frequência e com parceiros sexuais diferentes. Com que frequência você tem feito sexo?

Paciente: Ahh... sabe como é, né? Eu costumo fazer sexo depois do expediente, depois das seis da tarde. Aí quando dá meia noite, eu já transei com uns quatro caras e já estou muito cansada. No dia seguinte, eu acordo pronta! Mas quer saber, às vezes, ao invés de usar minhas duas horas que eu tenho pra almoçar, eu uso esse tempo pra transar. Eu já até transei durante o expediente. Foi assim, o meu colega de trabalho, vivia dando em cima de mim, aí teve um dia que eu fui beber água e ele também foi, aí a gente se olhou e eu disse pra ele me encontrar na sala de depósitos da empresa. Aí nós fomos pra lá e... (Aqui já deu pra entender que a frequência é alta, não há necessidade de incentivá-la a prosseguir nessa resposta, até porque se deixar ela vai ficar a entrevista inteira te contando os casos e os detalhes de cada um deles, sendo que esses detalhes não vão te ajudar a compreender o quadro clínico dela).

7)    O paciente pode te contar um monte opiniões pessoais sobre vários assuntos. Não se percam nisso!!! (Principalmente se eles começarem a falar sobre um assunto que você tem muito interesse)
Exemplo:

Entrevistador: Você comentou que tinha algumas coisas que você sentia prazer em fazer e que agora já não sente mais. Quais coisas são essas?

Paciente: Ah, eu gostava muito de escutar música, tocar violão, sair com meus amigos, tomar uma cervejinha.. Ah... eu amava futebol! Domingo e quarta eram dias sagrados. Eu sempre assistia aos jogos. Mas nem disso eu tenho gostado ultimamente. Eu estou muito decepcionado com o futebol, a CBF não tem escrúpulos, eles só pensam em dinheiro. O futebol já não é mais jogado pelo prazer, mas sim pelo dinheiro. Os jogadores viraram produtos, os times viraram produtos... (Aqui já deu pra entender quais foram as coisas que ele perdeu o interesse. Se você deixar o paciente vai ficar a entrevista inteira falando sobre a opinião dele em relação ao futebol).

8)    Repetir de forma sucinta o que o paciente acabou de dizer pode ser uma boa técnica, principalmente nos seguintes casos:

a)    Quando o paciente se perde e começa a dar uma resposta muito longa e com muitas informações (nesse caso, quando você repete você ajuda o paciente a se organizar melhor em relação ao que ele acabou de dizer)
b)    Quando você ficar perdido na resposta do paciente (ai quando você repete, você pode organizar melhor suas ideias e, caso seja necessário, você pede para o paciente te descrever melhor aquilo que você não entendeu)


9)    Não entrevistem paciente em estado psicótico por um tempo maior do que o necessário. É muito importante entrevistar esse paciente, principalmente para você poder identificar quais são os sintomas que ele está apresentando, bem como as formas e os conteúdos dos mesmos. No entanto, é quase impossível entender a evolução do quadro do paciente só com a entrevista que você fez com ele. Nesses casos, ENTREVISTE OS FAMILIARES (de preferência mais de um). (Essa dica é válida para a entrevista feita com o paciente antes da apresentação do trabalho)

Como descrever a Curva Vital (Psiquiatria/Psicopatologia)

O que deve constar: a história de vida da paciente desde sua concepção até antes da mesma ter adoecido (EVOLUÇÃO PROCESSUAL). Isto é, a partir da curva vital eu terei condições de perceber como a paciente era antes de apresentar o quadro clínico dela.
No caso de pacientes com evolução episódica, então você deve escrever o texto desde a concepção do paciente até a sua penúltima crise.

Modelo de como escrever a Curva vital:
1º parágrafo (Tema: descrição da gestação, parto e desenvolvimento da paciente nos primeiros anos de vida):
a)    Como foi a gestação da Paciente (teve ou não intercorrências?)
b)    A paciente foi fruto de uma gravidez planejada?
c)    Parto normal ou cesárea?
d)    Houve complicações no parto?
e)    Engatinhou, andou e falou dentro do esperado?

2º parágrafo: (Tema: infância – escola)
a)    Quando começou a estudar?
b)    Teve dificuldades na escola?
c)    Como era seu relacionamento com os colegas?
d)    Como era seu relacionamento com os professores?
e)    Durante sua infância, aconteceu algum evento significativo dentro do contexto escolar? (Exemplo: reprovação, bullying, mudança de escola ...)

3º parágrafo: (Tema: infância – amigos)
a)    Tinha muitos amigos?
b)    Gostava de brincar?
c)    O que gostava de fazer nas horas vagas?

4º parágrafo: (Tema: infância - família)
a)    Tem irmãos?
b)    Seus pais são separados?
c)    Como é a relação da paciente com seus irmãos?
d)    E com os seus pais?
e)    Durante a infância da paciente aconteceu algum evento significativo dentro do contexto familiar? (Exemplo: morte de alguém da família, abuso sexual, separação dos pais...)

5º parágrafo: (Tema: adolescência - escola)
a)    Teve dificuldades na escola?
b)    Como era seu relacionamento com os colegas?
c)    Como era seu relacionamento com os professores?
d)    Durante sua adolescência, aconteceu algum evento significativo dentro do contexto escolar? (Exemplo: reprovação, bullying, mudança de escola ...)

6º parágrafo: (Tema: adolescência – amizades/ namoro)
a)    Tinha muitos amigos?
b)    O que gostava de fazer nas horas vagas?
c)    Quando iniciou sua vida sexual?
d)    Como eram suas relações afetivas?
e)    Durante sua adolescência, aconteceu algum evento significativo no campo das amizades ou dos relacionamentos afetivos?

7º parágrafo: (Tema: adolescência – família)
a)    Como é a relação da paciente com seus irmãos?
b)    E com os seus pais?
c)    Durante a adolescência da paciente aconteceu algum evento significativo dentro do contexto familiar? (Exemplo: morte de alguém da família, abuso sexual, separação dos pais...)

8º parágrafo adiante: você vai descrever os eventos significativos da paciente até momentos antes dela ter apresentado a sua primeira crise.

Observação: (Na evolução episódica, você vai descrever os outros episódios – se houver – bem como o período de intercrises).

Em abril de 2004 (início da crise), a paciente Fulana de Tal, com então 26 anos, passou a apresentar os seguintes comportamentos: dificuldade de dormir, angustia, pouco apetite, tristeza, vontade de só ficar na cama, desesperança e vontade de se matar (sintomas). Fulana de Tal comentou que estes comportamentos tiveram repercussões significativas em sua vida. No campo profissional a paciente relata que sua produtividade diminuiu, nos seus relacionamentos interpessoais, a paciente disse que não queria conversar com ninguém e que seus amigos e filhos se queixavam disso... (impacto dos sintomas na vida da paciente). Na época, a paciente relata que estava tendo problemas com o seu marido.... (contexto). A paciente afirmou que em maio de 2004 procurou tratamento psicoterápico e psiquiátrico e que em junho do mesmo ano ela já se sentia melhor, não apresentando mais os comportamentos descritos acima (duração da crise).
De junho de 2004 a setembro de 2007, a paciente relatou que seguiu tanto o tratamento medicamentoso quanto o psicoterápico e que trabalhou normalmente, tendo suas relações com seus amigos e filhos preservadas (evolução).
Em outubro de 2007, a paciente Fulana de Tal, com então 28 anos, passou a apresentar os seguintes comportamentos: falta de apetite, angustia, desesperança, tristeza, coração disparado, falta de ar, medo de sair de casa, vontade de se matar, vontade de só ficar na cama... (sintomas). Fulana de Tal comentou que estes comportamentos tiveram repercussões significativas em sua vida... (impacto dos sintomas na vida da paciente). Na época... (contexto)... A paciente disse que ficou assim de outubro a dezembro de 2007 ... (duração).

DICAS:
a)    Procure começar os parágrafos com datas (mês e ano) – assim fica mais fácil das pessoas entenderem a história.
b)    Sempre escreva os fatos e não a interpretação dos fatos. (Preocupe-se mais em descrever a história e não em explicá-la. Evite utilizar os termos: POR CAUSA, DEVIDO, PORQUE) Exemplo de interpretação: ... com cinco anos de idade, a paciente começou a apresentar estes comportamentos porque o avô abusou dela sexualmente... Exemplo de descrição: ... a paciente começou a apresentar estes comportamentos com cinco anos de idade. Na época, o avô começou a abusar sexualmente da paciente...
c)    A história deve ser escrita de forma cronológica!!! (Você deve começar a história do começo e contar os eventos na ordem cronológica em que eles foram acontecendo)
d)    A paciente teve algum problema orgânico que possa ter interferido em seu quadro clínico antes de ter adoecido pela primeira vez? (Exemplo: Traumatismo craniano? ...)
e)    Não focar em internações!!!!!!!!!!!!!!! – a paciente pode ter tido alguma crise sem ter sido internada.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Resenha do livro o que é adolescência - Daniel Becker


            O livro começa com a unidade intitulada de “Na tua idade eu também queria mudar o mundo” onde o autor critica a posição da sociedade em definir que o sentimento de inconformismo é comum e passageiro a todos os adolescentes. E que esse inconformismo desaparece no momento em que a crise é superada e o adolescente passa para a etapa seguinte, se tornando um adulto adaptado às regras e também aos padrões aparentemente imutáveis, aceitando as exigências que lhe são impostas, marcado pela ausência de liberdade.
Na segunda unidade intitulada “A metamorfose”, o autor dá ênfase às transformações vivenciadas pelo adolescente, nesse período transitório entre a infância e a fase adulta. Becker esclarece que as mudanças físicas podem ser consideradas universais, porem as mudanças no nível psicológico podem variar de acordo com o contexto. As transformações físicas são desencadeadas pelo fenômeno da puberdade que é o período da vida em que o indivíduo se torna apto para a procriação, adquirindo a capacidade física de exercer a função sexual madura. Nesse período ocorrem eventos como o “estirão da adolescência” o aparecimento dos “caracteres sexuais”, primeira menstruação na menina, aumento do pênis no menino, e produção de espermatozoides.
Além das mudanças físicas o autor fala nessa unidade sobre a mudança nas formas como o adolescente lida com essas mutações que ocorrem em seu corpo. Explica ainda o surgimento da capacidade de “raciocinar sobre o raciocínio” que representa o surgimento do raciocínio abstrato na adolescência e aborda os conflitos relacionados ao estabelecimento da sexualidade, valores morais que restringem a atividade sexual, masturbação, homossexualidade, conceito de sexualidade vendido pela mídia, falta de orientação sexual e as possíveis consequências da não resolução desses conflitos, tais como gravidez na adolescência e aborto.
Para falar dos aspectos emocionais e da sexualidade o autor utiliza se no decorrer desta obra principalmente as teorias psicanalistas, de autores como Sigmund Freud, Anna Freud e Erik Erikson a quem Becker atribui a expressão “crise na adolescência”.
O autor crítica a generalização de termos como agressividade e “depressão normal” como sendo universal para todo e qualquer adolescente e destaca que a depressão pode ocorre a partir das reflexões do adolescente sobre as vivências interiores, e sua a partir da vivencia dos “lutos” que são reações a uma série de “perdas” que ele sofre durante essa transição de criança para adulto. Becker, ainda explica a busca do adolescente por sua identidade, os conflitos de valores e as identificações dos adolescentes nesse período.
Ao falar das drogas, o autor diferencia os quatro grupos de drogas psicoativas. E destaca que essas drogas podem levar a dois tipos de dependência: a psicológica e a física. Em sua obra Becker crítica a marginalização do usuário da maconha, e defende a posição de que “a grande maioria dos adolescentes que a usam são “usuários recreacionais”, ou seja, não viciados. Becker enfatiza ainda que há uma preocupação da sociedade com a maconha e uma “tolerância” com o álcool, justificada pelo fato do alcoolismo dar lucro ao sistema, ao contrário do consumo da maconha.
Becker destaca que é na adolescência com todas essas transformações, mudanças, conflitos e “crises” que o adolescente se vê pressionado para a escolha de uma profissão. Becker afirma que nessa fase o adolescente ainda não está preparado para fazer essa escolha e que na maioria das vezes essa escolha é feita sem a devida reflexão podendo levar ao erro e a frustração do indivíduo. O autor não acredita na mobilidade social, e acredita que o filho de um trabalhador de construção civil provavelmente também será trabalhador de construção civil, o autor chega a afirmar que a ideia de um filho de pedreiro que se torna senador, por exemplo, é uma “bela ilusão”.
Na terceira unidade intitulada “Radiografia de uma visão: O lado avesso”, a questão levantada e a de que as ideias e teorias sobre a adolescência não devem ser generalizadas à ideologia, porque chegam aos jovens como verdades e eles tendem a desqualificar sua própria emoção e seus pensamentos. A unidade discute a assimilação da ideologia pelo adolescente, na construção de sua identidade. E a formulação dessa ideologia pelo poder social dominante buscando o controle do indivíduo, através da submissão e da alienação, para que ele possa reproduzir os padrões de vida vigentes. O autor destaca que é fundamental que os jovens utilizem da criatividade, da conscientização e do questionamento crítico para trazer resoluções para as contradições, rompendo assim com a ideologia vigente em busca de transformações e renovações.
Na quarta unidade “Adolescência: quando, como e onde” Becker traz uma visão histórico-social da adolescência, destacando que o conceito é bastante recente e que esse é um fenômeno sociocultural. O autor compara a cultura ocidental com a sociedade de Samoa. Destacando que em Samoa “o adolescente parece não enfrentar conflitos morais, ideológicos, psicológicos e afirma que não existe lá o que chamamos de crise da adolescência”.
Becker também fala nessa unidade sobre a dificuldade que é para o adolescente encontrar sua identidade em meio a esse mundo turbulento em que valores ultrapassados, convivem com novos valores. O autor discute a escolha consciente, ou não, de seguir a ideologia social dominante e reproduzir os padrões sócias impostos; e o assumir de uma atitude de protesto, posições originais, e desviantes. Sendo os últimos, base para a formação de um novo modo de vida. Por fim o autor discute qual é o critério para determinar o fim da adolescência e critica a definição de que um indivíduo se torna adulto quando alcança o seu perfeito ajustamento à sociedade.
Na unidade intitulada “Adolescência-aqui e agora”, Becker discute a necessidade constante que a sociedade apresenta de estereotipar o adolescente e defende que o universo da adolescência é bem mais amplo, e não se limita a esses estereótipos.
Ao falar dos dados estatísticos referentes aos adolescentes no Brasil, o autor os divide em dois grandes grupos: os das camadas médias e altas urbanas e o “resto” que segundo ele é constituído por jovens marginalizados na sociedade.
Em seguida o autor fala dos movimentos sociais da juventude no mundo e no Brasil, e compara as manifestações de protesto contra o sistema de décadas atrás as manifestações da atualidade. O autor apresenta também uma estatística americana relacionada ao aumento de suicídios em adolescente, e defende que a culpa não é do adolescente, mas sim do sistema.
Becker ainda afirma que “Milhões de adolescentes brasileiros são deficientes físicos e mentais, não por doenças genéticas, mas simplesmente por miséria”. O autor Defende que a sociedade precisa se dar conta do sofrimento dessas crianças, e passar a respeitá-las e assisti-las, segundo ele não adianta se preocupar somente com uma “massa de marginais no futuro”.
No capitulo final intitulado “Por que Adolescência” Becker justifica a escolha do tema, nesse momento afirma que a nossa cultura está vivendo uma “crise adolescente”. Enfatiza a participação do adolescente nas transformações sociais através da crítica e do questionamento. Becker destaca ainda que O conflito e a dúvida costumam trazer muito sofrimento, mas o valor positivo deles pode ser muito maior. Na conclusão de sua obra Becker dá ênfase ao privilégio que os adolescentes possuem de poder escolher livremente, e de voltar caso necessário, segundo ele o importante é participar das escolhas, e viver para o presente.
De maneira geral o livro possui linguagem acessível, de fácil compreensão, abrangendo o tema proposto com uma leitura agradável e que desperta o interesse, mantendo o leitor “preso” do começo ao fim.


quarta-feira, 9 de abril de 2014

O que um Psicologo faz

O video abaixo explica as principais atividades de um psicologo no mercado de trabalho.



Destaque para:
Psicologia forense

Psicologia Jurídica

Psicologia criminal

Psicologia clínica

Psicologia no esporte

Psicologia da Educação






Estudo dirigido (Psicologia Social)

1- Buscava-se um conhecimento científico que pudesse ajudar na construção de uma nova sociedade. A realidade captada não podia questionar as pesquisas elaboradas a partir de experimentos tão bem controlados. Nesse momento foi proposta uma análise em termos do materialismo histórico e dialético. A revisão crítica propunha uma metodologia que pudesse captar o sujeito,  historicamente situado e também como fruto  de uma realidade multideterminada
2- Caracteriza a Psicologia Social dos anos 80 a indissociabilidade entre teoria e prática. A psicologia social comunitária assume um compromisso político com a população oprimida. Repensa-se a clandestinidade dos trabalhadores e do voluntariado. O psicólogo passa a ser remunerado. Inserção dos profissionais das ciências sociais e humanas em funções e cargos destinados a prestações de serviços à população. Amplia-se o espaço do trabalho e reconhecimento da profissão de psicólogo junto aos setores populares. Cria-se a possibilidade do psicólogo trabalhar em postos/unidades, tendo uma atuação institucionalmente reconhecida.
3- Na década de 80 a psicologia social comunitária assume um compromisso político com a população oprimida.
4- BASE TEÓRICA: Psicologia Histórico Cultural de Vygotsky (1896-1934). BASE FILOSÓFICA E METODOLÓGICA: materialismo histórico dialético.
5- HOMEM: ativo, social e histórico. SOCIEDADE: produção histórica dos homens, pelo trabalho produz a vida material. Mundo: Parte da concepção de que o mundo social e mundo psicológico caminham juntos
6- Criticas: *Ora é processo, ora é estrutura, ora manifestação, ora relação, ora é conteúdo, ora é distúrbio, ora experiência. É interno mas relaciona com o externo, É biológico, é psíquico e é social; é agente e é resultado; relacionado ao “eu”, ao “self”.
*O externo é visto como algo que dificulta o pleno desenvolvimento do mundo “interno”.
*Não pertence á natureza humana, mas reflete a condição social, econômica e cultural em que vivem os homens.
7- FENÔMENO PSICOLÓGICO = construção individual do mundo simbólico que é social
8- ATIVIDADE IMPLICA AÇÕES ENCADEADAS, JUNTO COM OUTROS INDIVÍDUOS (RELAÇÕES), PARA A SATISFAÇÃO DE UMA NECESSIDADE COMUM. PARA HAVER ESTE ENCADEAMENTO É NECESSÁRIA A COMUNICAÇÃO (LINGUAGEM) ASSIM COMO UM PLANO DE AÇÃO (PENSAMENTO), QUE POR SUA VEZ DECORRE DE ATIVIDADES ANTERIORMENTE DESENVOLVIDAS.
9- Influências de Marx em Vygotsky
*O Modo de produção material que direciona a vida social e espiritual do homem.
*O homem é um ser histórico que se constitui através de suas relações com o mundo natural e social.
*O processo de trabalho de transformação da natureza é o processo privilegiado nessas relações homem-mundo.
*A sociedade humana é um sistema dinâmico e contraditório que precisa ser compreendido como processo em constante mudança.
*Construiu uma teoria marxista, que consiste em estudar os processos de transformação do desenvolvimento humano, levando em conta 4 dimensões que caracterizam o desenvolvimento psicológico: filogênese, ontogênese, sociogênese e microgênese.
10- Vygotsky define a Atenção dada aos mecanismos psicológicos mais sofisticados típicos da espécie humana como as funções psicológicas superiores.
Algumas delas:
       Controle consciente do comportamento.
       Atenção e lembranças voluntárias.
       Memorização ativa.
       Pensamento abstrato.
       Raciocínio dedutivo.
       Capacidade de planejamento, entre outras.
11- filogênese representa a evolução da espécie.
Ontogenese
representa o percurso de desenvolvimento do indivíduo da espécie.
Sociogênese
define por onde cada pessoa pertencente aquela cultura pode ir. Sociedade escolarizada, ou não.
Microgênese
é uma porta aberta para o NÃO determinismo.

12- Mediação é a (intermediação) interposição entre uma coisa e outra. A relação do homem com o mundo não é direta, mas, mediada. A tendência é que todas as relações com o passar do tempo se tornem mediadas. Mediação pode se feita através de instrumentos e signos. A relação mediada pelos signos internalizados que representa as coisas do mundo liberta o homem da interação concreta com os objetos do seu pensamento.

13- A partir das proposições teóricas do materialismo histórico propôs a reorganização da Psicologia, antevendo a tendência de unificação das Ciências Humanas no que denominou como "psicologia cultural-histórica".  A teoria histórico cultural de Vygotsky mais tarde viria a ser a principal base teórica da psicologia social crítica.
14- Para Carl Ratner uma psicologia da libertação só pode ser uma psicologia cultural, pois é só através do conhecimento e aceitação da cultura de um individuo que pode se chegar a uma libertação verdadeira.
15- O comportamento de alguém é influenciado socialmente quando ele se modifica em presença de outros indivíduos (presença real ou simbólica). O julgamento ou a percepção do indivíduo encontram-se em relação com outras pessoas cuja conduta, de respostas interfere com as suas.
Diferentes abordagens: Imitação (Tarde, 1890); Normalização (Sherif); Conformidade (Asch, 1956); Inovação da Minoria (Moscovici, 1972).

16- *Individualmente os sujeitos não cometiam erros.
*Em grupo, cerca de um terço dos sujeitos conformavam-se com as respostas erradas da maioria.
Sujeitos conformistas:
*Distorção da percepção: realmente percebiam a linha errada como sendo a que correspondia em comprimento da linha padrão.
*Distorção do julgamento: pensavam que havia algo de errado com sua visão ou consigo mesmo.
*Distorção da ação: percebiam que a maioria estava errada, porém não tinham coragem de se opor.
Respostas à pressão social / conformismo:
}  Complacência: cede para evitar um a punição ou receber uma recompensa.
}  Identificação: atratividade consciente ou não.
}  Internalização: o individuo reflete sobre o que lhe é pedido e cede, passa a considerar o pedido como justo. Ex: valores e crenças.

17- Bases de poder:
Poder de recompensa: possibilidade de receber uma recompensa caso obedeça e submeta-se; recompensa desejada.
Poder de coerção: infringir (repressão) castigos caso não obedeça; sofrer punição.
Poder de legitimidade: é legitimo segundo crenças, valores e normas sociais.
Poder de referência: modelo , uma referência positiva ou negativa. Casos de identificação.
Poder de conhecimento: pelo conhecimento que legitima seu poder, méritos profissionais.
Poder de Informação: informações que agregam no convencimento.  

18-
Quando surge o “conflito” entre as maiorias e as minorias ao invés do pacto e compromisso e seu “efeito de normalização” ocorrido na circunstância conformista as minorias tornam-se desviantes gerando um efeito de polarização e portanto de conflito entre opiniões e soluções diferentes para os problemas, levando assim à inovação.

19- Psicologia das Minorias Ativas:
*Foca nas minorias, que são compreendidas em uma dinâmica de interação. Ou seja a  influencia é exercida em duas direções.
*Não considera a influência unilateral e sim recíproca que implica ação e reação.
MAIORIA  <=====> MINORIA

20- O conflito
é o “núcleo da mudança” ou linha de tensão que é permanentemente ativado pelas minorias que pretendem não simplesmente se adaptar ao meio. Na condição de atores sociais que buscam a “construção social da realidade” as minorias aspiram transformar o social para adaptá-los às suas necessidades.

Ao invés do pacto e compromisso e seu “efeito de normalização” ocorrido na circunstância conformista as minorias tornam-se desviantes gerando um efeito de polarização e portanto de conflito entre opiniões e soluções diferentes para os problemas.

ATIVIDADES sobre o desenvolvimento

1- Porque a linguagem é tão importante? Qual o seu papel no desenvolvimento infantil?

A linguagem é muito importante, pois permite a comunicação entre os indivíduos, a troca de informações e de experiências. A linguagem permite que a criança se comunique transmitindo suas necessidades e compreendendo o mundo ao seu redor, sem ela seria inviável para a criança aprender, ou adquirir conhecimento.

2- Discorra sobre o desenvolvimento do autoconceito e da autoestima na segunda infância.

O autoconhecimento é o conhecimento que cada pessoa tem de si mesma como um ser único. Esse autoconceito vai sendo construído pelo individuo ao longo do tempo, baseado em suas experiências e variando de acordo com a idade, em função do nível de desenvolvimento cognitivo alcançado em cada momento.
Nessa fase a criança se descreve baseada com termos mais simples e globais:

Ex: “Eu sou boa” ou “eu sou grande”

Já a autoestima é como cada pessoa avalia suas próprias capacidades e competências. A autoestima deve ser compreendida a partir da importância que a criança dá a determinados domínios em relação a outros. Assim como o autoconceito a autoestima varia de acordo com a idade.

EX: Se uma criança considera importante jogar futebol bem, mas não consegue, mesmo que ele seja bom em muitas outras coisas sua autoestima ficará negativa.        

3- Explique sobre o nível pré-convencional proposto por Kohlberg.

Kohlberg definiu seis estágios de desenvolvimento moral que podem ser, agrupados em três níveis de dois estágios cada.

O primeiro deles é o NÍVEL PRÉ-CONVENCIONAL (2 a 6 anos).  Onde a moralidade da ação é determinada baseando-se em suas consequências diretas.

·          Estágio 1. Orientação "punição obediência"
 A criança obedece as normas para evitar os castigos

·          Estágio 2. Orientação auto interesse
 A criança obedece as normas para satisfazer desejos e interesses próprios

Desenvolvimento da personalidade (dos 3 aos 11 anos)

Segue em anexo 2 slides com as principais informações e de maneira mais didática possivel:


Como sempre Links diretos pro MEGA, só clicar e Baixar (parte 1) e depois Baixar (pare 2).
Não se esqueça de comentar o que achou, caso tenha sido útil, ou caso queira algum complemento.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013